sino

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

TPM




TPM (Tensão Pré Menstrual) uma pequena sigla que gera enormes confusões.

Á partir da segunda metade da década de 50 e mais ainda a partir da de  60 do séc  XX, onde surgiram os anticoncepcionais, as questões sexuais passaram a ser mais livremente discutidas e observadas.

Não que o interesse já não existisse, mas os preconceitos eram maiores e ainda não haviam sido "chacoalhados" por ninguém.

Mesmo assim, tudo o que houvesse em relação a sexo continuou a ser visto com precaução por muita gente.

Pesquisas intermináveis, publicações e discussões aos montes nos deram muita informação, e é por isso que me assusto com tanta desinformação ainda hoje.

Entre todas as situações geradoras de conflito e espanto acho que a fase da TPM ganha em disparada.

Coincidentemente, nos últimos dias me deparei com várias referências à ela nas redes sociais.

É como se uma vez por mês as mulheres desistissem de se entenderem e os homens desejassem sumir do mapa nem que fosse por alguns dias, aqueles poucos em que suas parceiras, filhas, mães estivessem sob a influência dessa síndrome "assustadora".

Mas é tão mais simples.. porque tanta confusão?

Vamos lá: de forma ultra resumida e bem simples, a TPM  é apenas o resultado de um desequilíbrio hormonal!

A irritabilidade, a depressão e a agressividade típicas desta fase podem surgir desde 15 dias a 2 dias antes do início da menstruação. E é mais comum em mulheres entre os 25 e os 40 anos. Antes, para a maioria a TPM vem em forma de sintomas físicos como dores de cabeça e cólicas.

Nessa fase, há muita alteração hormonal, mas principalmente uma queda enorme na produção de serotonina que é o hormônio responsável pelo bem estar, o bom humor, a alegria...

A queda de energia é muito grande a necessidade de açucar aumenta, a carência afetiva chega ao máximo e as explosões de raiva e choro também.

Nos tempos de consultório vi muitos homens pensando em desistir de seus relacionamentos por conta dessa fase. Costumava dizer a eles, que a não ser que estivessem decididos a não terem mais relacionamentos estáveis, que de nada adiantaria já que são raras as mulheres imunes a essa situação.

Prá começar, o diagnóstico diferencial é indispensável. É importante frisar que a TPM termina com a menstruação. Se os sintomas persistem deve-se investigar a existência de outros distúrbios emocionais ou físicos.

Portanto, homens e mulheres, acordem! A situação pode e deve ser enfrentada. E há muitas maneiras de fazer isso.



A mais radical delas e que depende de intervenção médica é interromper o ciclo. É possível fazer isso por longos períodos. Há restrições que só podem ser avaliadas por um médico e ainda há resistência por parte de alguns profissionais, vale ouvir várias opiniões, mas com certeza é um alívio especialmente para mulheres que desempenham tarefas profissionais onde as oscilações de humor poderiam trazer problemas.

A forma mais sensata, em minha opinião, é aquela que faz sentido em qualquer situação que envolva o comportamento humano: autoconhecimento.

É muito importante que a mulher saiba exatamente como funciona seu comportamento nesse período e levar isso em consideração ao tomar atitudes ou emitir reações nessa fase. Se você sabe que está na TPM e que portanto reagira de forma exagerada a qualquer coisa, comece a evitar decisões importantes enquanto ela durar! 

Médicos, psicólogos, nutricionistas e especialistas em exercícios físicos podem orientar sobre pequenas ações que podem atenuar os sintomas.

A orientação psicológica sobre como lidar com eles é de extrema utilidade inclusive para os homens às voltas com o problema.

Aliás, homens que venham a ler isto, nessa fase, apesar das dificuldades, sexo não só é bem vindo como pode melhorar as coisas. É só saber lidar. A abordagem é outra, e tá, é meio arriscada, mas isso deve ser "combinado" entre o casal fora do período da TPM para que venha a funcionar. Não estou falando por suposição, acompanhei muitos casais nesse processo e garanto que funciona.

Meu tema favorito, a educação, também cabe aqui. Cabe aos pais, abordar o assunto com os filhos desde sempre, para que a TPM seja mais conhecida e melhor compreendida por ambos os sexos.

Portanto caros leitores, antes de arrancar os cabelos (e depois se arrepender) ou fazer as malas e ir embora (seja mais realista!), parem, observem-se e busquem soluções mais civilizadas para essa situação primal.